quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O que a República Dominicana tem a ensinar ao turismo brasileiro


É sabido que o turismo é uma indústria poderosa. Constitui-se principalmente de serviços, cujos empregos pouco podem ser exportados. Globalmente o Conselho Mundial de Viagens e Turismo indica que o setor gera um em cada 11 empregos (empregos diretos, indiretos e induzidos).

Mesmo com as crises econômicas recentes, o setor se mostrou resiliente. Seu impacto geral passou de US $ 6,3 trilhões, significando 9% do produto bruto mundial. Afinal, viajar, mais do que um luxo parece ser uma necessidade. Dados mundiais mostram que as viagens ficaram mais curtas, mas o número de viagens internacionais aumentou.

Trata-se de um setor importante tanto para países em desenvolvimento quanto para os já desenvolvidos, pois incrementa a geração de renda nacional, a criação de empregos e a competitividade dos negócios pelas melhorias na infraestrutura geral bem como na específica.

Contudo, parece que nem todos conhecem o impacto desta indústria no Brasil, e como está a competitividade de nosso país. Por uma experiência recente, focalizarei dados de duas repúblicas: a dominicana e a brasileira. Muito diversas em termos de tamanho: a República Dominicana não ultrapassa 50 mil quilômetros quadrados, enquanto a do Brasil tem cerca de 8 milhões e meio. 

Para compará-las, me basearei no Relatório de Competitividade de Turismo de 2013 elaborado pelo Fórum Econômico Mundial. Nele, os dados de 2011 mostravam o Brasil com cerca de 200 milhões de habitantes ao passo que a República Dominicana tinha pouco mais de 10 milhões.

No entanto, os números de turismo internacional dos dois países não distavam tanto assim: em 2011, o Brasil exibia pouco mais de 5,4 milhões de turistas internacionais que gastaram pouco mais de US$ 6,5 bilhões. O país caribenho exibia 4,3 milhões de visitantes internacionais que lá deixaram US$ 4,3 bilhões.

Mesmo que estes dados não sejam os mais atuais, dá para verificar que o pequeno país caribenho que ocupa dois terços da mesma ilha que o Haiti mostra um desempenho fantástico comparativamente ao imenso Brasil. Quase como David e Golias.

É interessante conhecer nosso posicionamento enquanto país frente a este pequeno caribenho para que os nossos políticos e os empreendedores saibam em que pontos capitalizar e onde devemos melhorar. Indico as posições relativas no Índice Geral de Competitividade de Turismo de 2013.

A República Dominicana se situou na 86ª posição geral, com escore de 3,9. Situa-se melhor na priorização do setor pelo governo (9ª posição), na afinidade do país com o turismo (36ª posição), e na oferta de mão de obra qualificada (39ª posição). Em recursos naturais, ficou apenas na 130ª posição!

O Brasil ficou na 51ª posição geral, com escore de 4,4, mesmo sendo considerado o 1° país em recursos naturais, 23° em atrativos culturais, 30° em sustentabilidade ambiental. Pesou contra ser 102° lugar em priorização do turismo, 83° em afinidade e 96° em recursos humanos qualificados. Perdemos um pouco mais em preços: 126° contra 104°.

Pelas evidências percebidas lá, parece que a República Dominicana continua numa escalada de crescimento do turismo internacional. Por exemplo, uma pequena parte de sua costa leste, Punta Cana, tornou-se destino favorito de turistas internacionais, incluídos os brasileiros.

Parece que o pequeno David caribenho soube capitalizar a presença de celebridades em suas praias e investimentos internacionais. Julio Iglesias é um dos que se dispuseram a investir no aeroporto de Punta Cana, que é privado sim senhor! Recebe mais da metade dos voos do país e tem os equipamentos de radar, rádio e de controle aéreo mais modernos do Caribe.

Há resorts fabulosos como os do grupo espanhol Barceló – um de seus hotéis o Barceló Bavaro Palace se gaba de ter 14 restaurantes. E há poucos meses abriram-se as portas de uma casa de shows mais famosas do mundo, a Coco Bongo, filial da mexicana em Cancún.

Assim, parece que políticos, empreendedores e sociedade temos que trabalhar mais: na imagem do país, no preço das passagens aéreas e taxas, na infraestrutura de transportes, na maior oferta de hotelaria e melhoria de nossos serviços e na atração de investimentos no setor. Ou continuaremos a perder espaço para a pequena República Dominicana!

Fonte: Uol

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